Reflexão

Eu tenho sede de Justiça!

Perfil de Carlos Bezerra

terça-feira, 14 de junho de 2011

POLICIAMENTO COM BICICLETAS - Controle de multidões




As chances de ver um policial de bicicleta são provavelmente maiores do que há 30 anos. O que está causando o renascimento?

Na maioria das cidades do Reino Unido e em outras cidades pelo mundo afora, a polícia está novamente usando bicicletas de alguma forma. Elas estão sendo utilizadas no trabalho comum de patrulha, mas também de forma mais ativa como um veículo de repressão do tráfico de drogas e demais criminalidades urbanas. Em Londres, o número de bicicletas de polícia aumentou de pouco mais de 400, em 2005, para cerca de 2.500 em 2009.

Alguns locais ainda estão encontrando dificuldades para colocá-las no orçamento da cidade, e muitos duvidam do seu valor. Mas, uma vez colocadas para trabalhar, bicicletas de polícia são um sucesso unânime.
Isto não surpreende, pois a bicicleta possui vantagens óbvias:

1) Discreta. Todas as polícias destacam o fato de serem veículos silenciosos, quase “invisíveis”. Pode-se surpreender grupos de criminosos surgindo por onde eles menos esperam, sobretudo por rotas de fuga onde não dá para passar um carro.

2) Rápida. Em Londres, onde há mais bicicletas de patrulha do que viaturas, o tempo de resposta a chamadas caiu pela metade. E em 70% dos casos elas chegam à cena antes das ambulâncias.

3) Acessível. As pessoas têm mais facilidade de acenar e conversar com policiais ciclistas. Também é comum relatos de crianças que se aproximam querendo saber sobre as bicicletas. Um sargento britânico salienta “este tipo de conversas revela algumas excelentes informações que levam a uma série de problemas de comportamento anti-social a serem abordados e resolvidos”.

4) Baixo custo. A cidade de Glasgow relatou que “podem ser empregados 15 policiais ciclistas pelo mesmo custo de adquirir e manter um carro.” Mas um gasto suplementar que não pode ser esquecido é a manutenção, que por vezes pesa tanto quanto a aquisição das bicicletas.

5) Saudável. Bicicletas mantêm os policiais em boa forma física. Além de melhorar a autoestima pessoal, a corporação e a cidade ganham porque as faltas ao trabalho por motivo de doença são reduzidas drasticamente.

Há desvantagens.      

É inviável para transportar pessoas presas. E caso a situação exija, é preciso gastar um tempo preciso trancando as bicicletas. No primeiro caso, uma viatura pode ser chamada. No segundo caso, pedalar em duplas reduz as chances de uma bicicleta policial ser roubada em tumultos. Além disto, alguns modelos de bicicleta possuem um mecanismo de blocagem rápida da roda dianteira, que não precisa de chave para bloqueá-lo, apenas para abri-lo.

Por falar em modelos de bicicleta, confiabilidade e resistência são mais importantes do que desempenho. Suspensão dianteira para subir e descer degraus ou meio fios, e forros de pneus kevlar anti-furo são muito úteis. Numa frota grande, cada bicicleta deve ter identificação única, para facilitar os registros de serviço, semelhante às demais viaturas.

Bicicleta de uso exclusivo feita pela Smith & Wesson, famosa indústria norte-americana que produz pistolas e rifles.


O kit que acompanha as bicicletas é a roupa (bermuda, capas, faixas/coletes fluorescentes, luvas, sapatos, etc), bagageiros e alforjes, sirenes, capacetes, trancas e outros opcionais. Em alguns lugares, bicicletas podem usar as luzes piscantes que identificam os veículos da polícia, mas isto depende de cada legislação.

Por fim, o uso da bicicleta pela polícia é bom para melhorar o status dos ciclistas em geral, um grupo ainda considerado como delinquentes por muitos motoristas. Se a própria polícia usa bicicletas, mostra que elas são uma forma inteligente e rápida de se locomover.

Este artigo foi publicado originalmente na edição de abril de 2001, da Revista Law and Order e traduzido e adaptado - por TRANSPORTE ATIVO http://blog.ta.org.br/


Bicicleta - Solução saudável para o caos no trânsito



Hoje, há muitas cidades onde mais da metade do espaço urbano é ocupado por beneficiamentos para automóveis. Não raro o pedestre tem seu direito de ir e vir impedido ou mesmo proibido.

Somos todos pedestres. E mais, pelo menos uns 10% da população brasileira tem algum tipo de deficiência de mobilidade que praticamente os impede de sair de casa. A estes 10% devem-se juntar pelo menos mais 5% que são crianças e idosos que também precisam de cuidados especiais.

Para que a vida de todos tenha qualidade é necessário oferecer boas condições de mobilidade, e para alcançar este objetivo é necessário rever a forma de utilização de espaço e as dinâmicas do trânsito. Ou seja, a qualidade de vida de todos depende na mudança da redução da fluidez dos motorizados.

A bicicleta tem neste contexto um papel muito importante porque sua velocidade (média de 15km/h) está entre a velocidade de um automóvel (média de 25km/h em cidades grandes) e do pedestre (4km/h). Nesta batalha por espaços a bicicleta é o elemento técnico do trânsito que abre caminhos para pedestres e outros não-motorizados.

Qualquer proposta ou projeto que vise melhorar as condições de conforto e segurança para ciclistas deve levar todos em consideração, principalmente os não-motorizados. Pensar a bicicleta isoladamente é contraproducente até para a segurança do próprio ciclista, além de provavelmente levar a um confronto com quem deveria ser aliado: os outros não-motorizados. Mais do que nunca vale aqui "a união faz a força".

Quem são os não-motorizados?

a)      Pedestres
b)      pessoas com necessidades especiais (usuários de cadeira de rodas, muletas, ortopédicos; paraplégicos, tetraplégicos, aproximadamente 10% da população do Brasil)
c)      crianças e idosos
d)     Ciclistas
e)      skatistas, patins, triciclos,
f)       outros

Para ter transporte eficiente, motorizado ou não motorizado:

a)      necessidade de espaço (particular, coletivo, público)
b)      espaço estático (estacionamento)
c)      espaço dinâmico (deslocamentos - vias)
d)     qualidade do pavimento / fluidez
e)      infra-estrutura – ordenamento
f)       impacto social e ambiental positivo
g)      respeito, bom senso, racionalidade e legalidade
h)      eqüidade / equilíbrio através de negociação
i)        manter sempre o foco na qualidade: máximo de segurança, eficiência e conforto para todos, usuários ou não do sistema de transporte
j)        dar boa administração ao sistema
k)      pensar a médio e longo prazo; estar sempre atento ao futuro

Para ter eficiência nas mobilidades é necessário aperfeiçoar todas as opções de transporte oferecidas, existentes ou possíveis. É contraproducente imaginar que uma única opção do sistema por si só resolve todos os problemas. O bom funcionamento de nossa sociedade depende do respeito à diversidade e particularidades. O contrário traz desequilíbrio, falhas, custo alto de manutenção e, não raro, violência.

A mobilidade por bicicleta ou qualquer outro modo não-motorizado é mais que uma opção; é um direito básico e incontestável. Não-motorizados não devem ser encarados como um problema para a fluidez do trânsito motorizado.

O número de ciclistas, assim como de outros não-motorizados, cresce a cada dia. Há inúmeras razões para isto, sendo as principais o baixíssimo custo operacional e a escassez de espaço individual e coletivo. Mas poucas facilidades para segurança e conforto são implementadas, e as que são ocorrem de maneira muito lenta. O grande direcionamento continua sendo aumentar o fluxo, a velocidade média dos motorizados.

Hoje a bicicleta ainda é pensada como um elemento à parte, desintegrado do sistema de transporte. O correto é fortalecer todos modais de transporte, fortalecendo a qualidade individual de cada um e coletiva de todos por meio da integração. A bicicleta é ótima para preencher espaços dos curtos deslocamentos internos em bairros.

Toda a sociedade está acostumada a pensar seus deslocamentos e o uso da cidade a partir da ótica do automóvel. Mudar esta ótica requer paciência e persistência. Os responsáveis pelo trânsito e transporte respondem às demandas geradas pela sociedade e algumas vezes são obrigados a tomar posição que sabem não ser a ideal ou de bom futuro.

A Lei brasileira é complexa, de difícil aplicação, o que dificulta enormemente qualquer tentativa de mudança. Um conjunto de Leis impõe responsabilidade e ao mesmo tempo dá amplo poder e garantias à pessoa ou ao funcionário que assina um projeto. O resultado é a tendência de funcionários públicos ou responsáveis pela assinatura a não sair da linha conhecida, ou seja, a manutenção da política do sistema de transporte motorizado. Não-motorizados é um campo desconhecido, portanto perigoso para eles.  

O PERIGO

Aqui, como em qualquer parte do mundo, a bicicleta é tida como algo simpático, mas vendida como um tanto frágil, perigosa. Pesquisas demonstram que esta visão não condiz com a verdade. Bicicleta é um veículo e, como qualquer outro veículo, quando mal conduzido leva a riscos.

O desenvolvimento rápido e desordenado de nossas cidades está despertando a população para considerar outras opções. O desequilíbrio aumenta a predisposição para tomar riscos na busca de saídas. O automóvel não é mais a única solução e o transporte coletivo precário não dá as respostas esperadas. Nessa situação a bicicleta vem transformando-se em possibilidade muito interessante. A pergunta é: o que acontecerá se parte da enorme demanda reprimida sair pedalando nas ruas? 

Boa parte dos que assumiram a bicicleta como modo de transporte acabaram por descobrir na prática que os riscos existem, mas que são muito menores do que é normalmente dito. O mesmo está acontecendo com outros não-motorizados. O resultado é a descrença na ordem instituída, nas regras e Leis de trânsito.

Por outro lado, hoje o maior problema para a melhora das condições de segurança e conforto dos ciclistas é que eles e o setor não conseguem se fazer representar de maneira efetiva. E se não há representatividade, não há pressão, portanto não há mudanças.

O Brasil fechou os olhos para o surgimento e crescimento do uso da moto, o que gerou um número absurdo de acidentes e vítimas. O custo desta "desatenção" é enorme. Espero que a situação não se repita com ciclistas e outros não motorizados. 


Texto elaborado por: ESCOLA DE BICICLETAS http://www.escoladebicicleta.com.br/